|
|
:: Terça-feira, Maio 27, 2008 ::
depois de tantos ires
e vires
reparo que esse lar se pôs caduco.
muda o lar, mas a memória está toda lá.
revirar o próprio lixo se torna perigoso, às vezes.
cá está o novo endereço http://saturnine-obscure.blogspot.com/
apereçam, escrevam, ou apenas acenem
::
habitante de mim 7:06 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Segunda-feira, Abril 21, 2008 ::
abrir-se em nada mais que...
era branco quase nada
tão longe quase nunca esperava
compus rima em mente
nada sujei em pele
quando o dia compôs
sorri
quando inventei o sol
cansei
mas eram todas brancas (as manhãs)
as páginas
todas tristes, as quimeras
agora que o som é quase calado
sigo raso o que falta ser exato.
::
habitante de mim 1:08 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Segunda-feira, Abril 07, 2008 ::
Outra Milonga
e por menor que seja a viga
não basta ombro e encosto
não basta a vida pra sustentar
Há tropeços de vôo raso
coisas miúdas pra se importar
roupas leves que quaram pelo dia
riso novo de quimeras antigas
Tão pouco é o sotaque que muda
talvez, e também, a terra árida
e aqui úmida.
dos olhos de pessoas que já não podem
mais esperar...
o ar:
(o sopro dos messias escondidos em demagogias)
É vapor quente.
E agora sei, que o melhor vento
é aquele clandestino
que de tão fresco anuncia chuva.
::
habitante de mim 12:25 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
Cine-poema I
Nouvelle Vague combina
(perfeitamente, digo)
com o paraíso
Devemos ser felizes
e longe de todo dever
assim o somos.
Achar o tesouro
fechar os olhos
ficar no escuro
e fugir
(Se você puder).
::
habitante de mim 12:19 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Quinta-feira, Janeiro 31, 2008 ::
toda derme
"profunda é a pele..." (Paul Valéry)
Sabia do gosto
- tempero da vida -
soaram outros sopros
outras formas de escrita
Vi na crueza da rua
pontes de pele
entre eu e a poesia
Em paredes, calçadas
e no véu das cortinas
algo mais forte
rompia os muros
pincelados de ideologias
Sem estrutura
O caos chega calado
me abriga em dança
rasgando a surdez
desse sonhos contidos.
::
habitante de mim 6:33 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
à quem se entrega
Palhaço, antes era medo
de tua imagem
hoje é algo além de risos
Não sei dizer
talvez algo como conforto
intimidade
não... já sei
Do teu lado sinto liberdade
Palhaço de riso largo
fala rouca e atropelada
Se teu relógio fosse o tempo
já estaria tudo resolvido
Mas assim (sem tempo) é melhor
dá pra respirar com calma
e na sobra da vida criar.
::
habitante de mim 6:28 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Terça-feira, Dezembro 04, 2007 ::
Outro Lar
Sobre nossas cabeças uma oferenda.
achada no véu
de um sonho retido.
Alguém veio, e disse que não
tudo que é resto
(que é tudo que temos)
é achado no lixo.
::
habitante de mim 8:30 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Segunda-feira, Setembro 24, 2007 ::
Nem toda vida é vontade
Água nova
sangue velho que flui.
Abriu-se um canal
o sangue é seco.
Água nova num corpo podre
limo.
Movimento de restos
movimentos que violam
tocam
sopram
com intensão de trocar.
O caminho vai voltar mas não o mesmo.
::
habitante de mim 3:53 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Segunda-feira, Agosto 20, 2007 ::
Pela manhã
E quando me vou?
Já não é mais que somente raiva
(a ácidez no estômago, as rugas
carregadas no olhar)
E proteção.
Mas o que não é em vão?
Eu que quando saí de mim
Não encontrei nada mais que avesso.
E nada mais me perde, e nada mais sabe o que é leve
errado em mim, no que escolho.
Mas não é tudo
::
habitante de mim 3:18 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Quinta-feira, Agosto 02, 2007 ::
...
Estou de partida
Muitas partidas na
mesma hora, hora de movimentos
contrários-roda-2,1,4, rodas ou patas
cantos, boleros, pássaros
entre calmas e devaneios de uma
explosão de cidade
Eu aprendendo feito guri
O sabor do silêncio no meio
de tempestade
De camas com agulhas
penduradas
estou de partida
Na mata, no hospital ou na cidade
Partida e chegada
Não me importo de ter
sido carregado na carruagem desencantada
com todas as dores pós-sangradas
Desculpas de um mar
Uma cidade, velas acessas
Pelas calçadas. Descarregando meus fantasmas.
Me mostrei inteiro
Jamais metade... fantasmas
Agora preciso do desconhecido
um eu em pseudo-anonimato.
O poeta vagabundo em compassos.
Eu vi ele comprando cera, água sanitária – sanitários, sanatórios...
Olhei sem saber ver
Sem minhas proteções na privada
Enxerguei de verdade guei – enxerguei – já disse!
e não foi metade!
Belas e ruins são nossas metades.
Quero mas não estou mais procurando um amigo-amante
Inteiro me encontrem
sem fazer semblantes.
Mostrando-se as metades
paro aqui pois preciso andar
e aqui fico inteiro e não metade.
(Pablo Garmus)
::
habitante de mim 5:14 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Quinta-feira, Junho 21, 2007 ::
O vão dos olhos
O sol veio apenas para nos prender
E agora que ele se foi
reparo os papéis puídos de traça
É hora de remanejar a poesia.
O espelho quebrou
Mas pelos cacos ainda posso me ver.
Já é quase-pó, já é outra memória.
'Um dia acordarás
e verás que parte do teu outro
se foi.'
Esmero-me em ser pedaço.
E tudo está em calma.
::
habitante de mim 3:53 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Quinta-feira, Maio 24, 2007 ::
Emetropia
p'ra que a escrita
se transforme em sangue-
ouro-mercúrio
e não seja amassada em
vômito
esquecendo que casa
soprejar
é profecia.
Entre o absoluto
e o singular
concentram-se intesidades
de todo gênero.
(mas não vamos demorar nisso)
Para lidar com a história
de nossa identidade
com palavras que não explicam
nada
e soam surdas.
Não se trata de somar as partes
tende ser simples
do que é em si (do que é em si?)
repensá-lo.
Basta deus cantá-lo.
Não aprendi todos os nomes.
::
habitante de mim 4:37 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Terça-feira, Abril 17, 2007 ::
Já via muito d'uma pele que o sol tocou
com cuidado
Quando num outono
notou brotar
espinhos em sua pele
o peito concentrava a maior parte deles
Há dias
desconfiei das dores
(mas não diga que fui eu)
Era um pouco além do cansaço
Eu apenas esperei
E abaixo dos espinhos
haviam flores vermelhas
::
habitante de mim 7:04 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
DiaL
A equação é simples
Querer ser não é ser
O que rompe o campo de visão?
Eu tento pensar
onde isso tem a ver comigo
E não com o mundo de lá?
Dentre quadrantes esquerdos
não encontro o começo do vazio.
Gente enferma me adoece
Me cansa, m¿enoja
Eu me vejo nisso
E perdi toda piedade
Os leões não brincam comigo
Já nem quero
Basta de querer
Ganhei máscaras
A face crua não se mostra mais
Eu não a conheço
Respeito as sentenças
E vens me dizer que minha voz
é de alguém vivo
perdi consciência de amor
já não sofro
maturar é sóbrio
não justifico essências
::
habitante de mim 11:35 AM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Sexta-feira, Março 16, 2007 ::
Otimismo
não sei do sol, não
o rosto perdeu Azulado
empobreceu branco
o chão tá claro
::
habitante de mim 5:24 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
lesma
com todos os dedos que um dia
moldei o mundo
toquei
a dor
e o prazer
da minha coluna e vagina
escorre um muco
gozo-medula
para te dar desenhos e rastros
em chãos, buracos, caralhos
e paredes.
arrasto silêncio por onde como
úmida, no sal
encolho na insignificância negra
não posso mais chorar
toquei a dor
meu muco
Sopros não derrubam esse ar
é preciso bem mais
bem mais que socos lilases
e asco ao abandonar
Cubra os lugares em que me vês
nada vai voltar
::
habitante de mim 5:23 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
Vômito Negro
Molhada
elas fazem amor comigo
eu pensei
ser doce
pois é o que ainda falta
se passou um dia
a água está podre
e colorida
Elas se perfumam desse ar
Elas se multiplicam
Eu tenho o riso do descontrole
se tudo girar bem
eu te seguro nesses dois dedos
pequena ou infinita
(não importa)
vejo tuas vísceras
::
habitante de mim 5:22 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
:: Terça-feira, Março 06, 2007 ::
Depois da chuva
crianças ainda saem depois da chuva
há água transbordante
na sarjeta,
eu me jogo lá,
elas me recolhem com a curiosidade
de um novo brinquedo.
Meus cabelos arrancados
os olhos furados, depois pintados.
Quem mais vai te sentir?
os olhos cerrados
mais chuva
(esperei o sol
atrasei-me de novo)
Sentia os roxos
do meu corpo
sangrando em fisgas de pedra.
O brinquedo ficou velho.
::
habitante de mim 4:06 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
Ruir
bastou a felicidade decidir
me levar pra bem longe
para tudo empobrecer
na intensidade
perco as crônicas do caos
e o medo resumiu-se estanque
sinto um tédio acre
dentro dessa bolha
sinto também
um disparo no coração da terra.
parar não deixa
o corpo quente.
Convém à moça do tempo
dar um tapa no globo.
As roupas puíram
de tanto quarar no tempo.
::
habitante de mim 4:05 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
Luiza
nada que permita
tornar nossa imagem
esquecimento
soa tão doce quanto essa dor.
Quão ordinária sou
em recusar ordinariamente o amor
e todas ordinarísses que o envolvem:
ser junto
acreditar no amanhã
permanecer confiante e trágica.
Não vai acabar.
O fim é para todo sempre
e na manhã seguinte
algo esquecerá de mim.
::
habitante de mim 4:05 PM [+] ::
Opiniões de outros Universos:
...
|